Bancada evangélica tenta impedir aborto em criança de 10 anos (Foto: Reprodução)

Fanáticos religiosos fazem o Recife voltar à Idade Média

17 de agosto de 2020, 07:42

Lamentável e inadmissível. Um grupo de fanáticos religiosos ditos cristãos promoveu, no domingo (16), arruaça no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), no bairro da Encruzilhada, no Recife, na tentativa de impedir que uma menina de 10 anos se submetesse a um procedimento médico de aborto autorizado pela Justiça. A cena vergonhosa fez a cidade viver dias de Idade Média, com os fundamentalistas tentando invadir o hospital. Chegaram a chamar de assassinos a menina assustada e o médico que a operou.

De nada adiantou a patética histeria da turba, pois o procedimento foi efetivado. A menina era estuprada desde os 6 anos pelo tio. Este sim, o criminoso, que passou ao largo dos protestos ensandecidos dos “ungidos”.

Um dos fanáticos, católico, chegou a dizer que a Igreja Católica se encarregaria de sustentar o bebê, o que não foi confirmado, nem podia ser, por nenhuma autoridade séria da Instituição.

O ato criminoso e insano reuniu católicos do Grupo Pró-Vida e parlamentares evangélicos. Em ano eleitoral, deputados e vereadores radicais de direita estavam presentes, basicamente os que formam a base bolsonarista na Assembleia Legislativa de Pernambuco e na Câmara Municipal do Recife. Carol Virgulino, deputada do mandato coletivo Juntas (PSOL) foi a voz solitária e solidária a defender a menina e o seu direito garantido pela Justiça.

Eis os nomes dos arruaceiros que deveriam estar colocando os seus mandatos a serviço do Estado e da Cidade. Todos integrantes das bancadas evangélicas, apoiadores do presidente da Jair Bolsonaro e negacionistas em relação ao combate ao coronavírus com isolamento social:

  • Clarissa Tércio, deputada estadual do PSC – que já foi denunciada por distribuir, junto com médicos anéticos, comprimidos de cloroquina a incautos em comunidades da periferia do Recife;
  • Renato Antunes, vereador do PSC, líder da Oposição na CMR;
  • Joel da Harpa, deputado estadual do PP, organizador no Estado de atos antidemocráticos de cunho fascista;
  • Clayton Collins, deputado estadual do PP, pastor e ex-DJ Banana;
  • Michelle Collins, vereadora pelo PP e mulher de Clayton, porta-voz das teses mais retrógradas que pululam na na Câmara dos Vereadores recifense;
  • Alberto Feitosa, deputado federal pelo PSC e auto-proclamado representante de Jair Bolsonaro em Pernambuco. Assim como os demais, defensor da pena de morte.

Participaram também do ato contra o aborto Terezinha Nunes, ex-deputada pelo PSDB e líder do Movimento de Mulheres Católicas; e Márcio Borba, do movimento católico Pró-Vida.

O crime que vitimou a menina aconteceu na cidade de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, a 215 quilômetros de Vitória, capital do Estado. A Justiça autorizou o procedimento na sexta-feira (14), mas os hospitais do Espírito Santo não aceitaram fazer a cirurgia. O procedimento, com amparo legal, foi transferido para o CISAM, no Recife.

Desde que estava em sua terra, a criança foi atacada por criminosos como a fanática Sara Winter, que, de longe, organizou a selvageria, repassando aos colegas recifenses os dados da vítima, de seus parentes e do hospital para onde ela seria transferida. A militante fascista é a mesma foi presa por ameaçar de morte os ministros do STF. Está solta sabe-se lá porque.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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