Carol joga na cara do bolsonarismo: “Não me sinto nem um pouco arrependida”

14 de outubro de 2020, 09:59

Ameaçaram com uma multa de R$ 100 mil, mas acabaram aplicando ‘apenas’ uma pena de advertência, para que Carol Solberg fique quieta, que nunca mais grite “fora, Bolsonaro” e que, se quiser, apenas elogie o sujeito. Anunciaram que é uma medida educativa.

E aí Carol devolveu com outra medida educativa: atirou na cara dos ‘juízes’ da 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva que não se arrepende do que fez.

Eles acharam que a jogadora de vôlei iria se encolher e pedir desculpas aos fascistas e Brasília que esperavam uma moça resignada com a imposição de uma “pena pedagógica”.

Leiam o que Carol disse no depoimento ao STJD:

“Eu estava em Saquarema jogando minha primeira etapa depois de tanto tempo sem jogar por causa da pandemia. Estava jogando terceiro lugar, tinha acabado de ganhar, estava muito, muito feliz de estar retornando ao pódio. Estava muito feliz de ter ganhado o bronze e, na hora de dar minha entrevista, apesar de toda alegria ali, não consegui não pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, todas as queimadas, a Amazônia, o Pantanal, as mortes por Covid e tudo mais, e meio veio um grito totalmente espontâneo de tristeza e indignação por tudo o que está acontecendo”.

E aí um sujeito perguntou, no tom de inquisidor com voz suave, mas que busca uma confissão, se ela se arrependia do que havia dito.

E mais uma vez Carol deu nos dedos dos caras:

“Não me sinto nem um pouco arrependida. Só manifestei minha opinião. Da mesma forma que vejo que os meninos da seleção de vôlei de quadra manifestaram a opinião deles, uma opinião contrária à minha, do futebol”.

“Minha opinião foi contra um governo que sou contra. Conheço as normas e estou certa de que não ofendi nem a CBV, já que a instituição não é partidária e não tem ligação com o governo Bolsonaro”.

Aí tem ironia, tem que ter, e a inteligência dos bravos. É um exemplo de altivez diante de um tribunal machista e bolsonarista.

Carol fez uma afirmação, mas o que ela deixou mesmo foi uma pergunta, ao se referir (sem citá-los), aos jogadores de vôlei Wallace e Maurício.

Por que o mesmo tribunal não chamou os dois bajuladores de Bolsonaro e da extrema direita, quando eles fizeram propaganda para o amigo dos milicianos durante um jogo?

Carol deu uma lição em muito macho que se acovarda diante de julgadores a serviço da censura fascista.

Essa é a filha de Isabel Salgado, que não foi apenas uma grande atleta do vôlei, mas uma figura de exceção em meio à alienação generalizada em qualquer esporte no Brasil.

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O LATIM DA ENROLAÇÃO
O debate que tenta descobrir de quem é a culpa pela soltura do traficante, se de Marco Aurélio ou do juiz ou do Ministério Público ou da lei, é um despiste.

É uma conversa hermenêutica em latim diversionista. O grande debate em torno do caso do traficante deve passar pela podridão da Justiça.

A conversa pretensamente filosófica e pura acionada por esse caso só glamouriza personagens de um pântano.

Vamos ao que interessa. E o que interessa é fuçar nas entranhas de um Judiciário degradado, que agora se abraça a Bolsonaro.

Parem com hermenêuticas rendadas no meio dessa imundície em que um juiz cuida de um processo em que um amigo é interessado.

Chegou. Juristas, advogados, OAB, todos os que lidam com Direito. Não fujam do que importa. Entrem no fundo do pântano, para que possam sair dele, se é que conseguirão.

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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