Com ameaça de porrada a jornalista, cai a farsa do Jair Paz e Amor

24 de agosto de 2020, 08:27

Vi nas redes nas redes sociais uma sugestão que deveria ser abraçada, de imediato. Ao longo da semana, os repórteres que cobrem o dia-a-dia de Jair Bolsonaro deveriam fazer a ele uma única pergunta:

– Presidente, porque sua esposa recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?

Das duas uma. Ou presidente da República iria acabar respondendo à questão, o que é obrigação dele, por imposição do cargo que lhe determina ser transparente e esclarecer todas as dúvidas que pairem sobre sua conduta de principal servidor público do País. Ou iria cair por terra essa sua mania de expelir bravata, como se tivesse, realmente, coragem para sair enchendo a boca dos outros de porrada.

Aliás, o comportamento da mídia que cobre o Planalto já deveria ser outro, há muito tempo. Desde que o “mito” se dedicou a agredir seus interlocutores naquele cercadinho infame com que passou a receber a imprensa, dividindo absurdamente o espaço entre os jornalistas que estavam ali trabalhando com os bolsominions que para ali de dirigiam com dois propósitos: puxar o saco do ídolo de barro e impedir a imprensa de fiscalizar e noticiar a rotina do presidente, cada vez mais confusa e suspeita. A partir dali, era para a imprensa ter se negado a participar daquele circo.

Nesse domingo, o que o repórter do jornal O Globo fez foi cumprir com sua obrigação, que foi questionar sobre os cheques do amigo de fé, irmão e camarada dos Bolsonaro Fabrício Queiroz para a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Não havia outra coisa a se perguntar numa escala de relevância jornalística. É o que o País quer saber. A resposta foi: “Tenho vontade de encher tua boca de porrada!”.

A vida financeira e política dos Bolsonaro tem se mostrado completamente diferente oposta ao que o “Messias” prometeu ao longo de uma campanha eleitoral – seria provado depois – eivada de fake news e de promessas de combate sem tréguas à corrupção e ao mau uso do dinheiro público. Sem ter como questioná-lo, pois ele não fez campanha feito os demais candidatos – estava se “recuperando de um atentado”, até hoje mal explicado -, a concorrência viu ele crescer à sombra de ameaças de perseguição aos adversários políticos, de promessa de armamento da população e de extermínio de grupos rivais. Promessas que só não cumpriu todas por conta da reação da população, do Judiciário e do Legislativo.

A ameaça sem sentido e violenta do presidente ao repórter de O Globo enterra o estilo “paz e amor” com que ele tentou enganar uma parte da opinião pública. Uma farsa na qual só caiu mesmo quem acabara de chegar ao planeta e não conhecia seu estilo mal educado, ignorante, violento, misógino, preconceituoso e retaliador. Fingir humanidade não colou.

Jair Bolsonaro é um caso perdido.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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