O fim das gambiarras de Bolsonaro

16 de setembro de 2020, 10:22

A grande imprensa continua fazendo festa para o ‘aumento’ do consumo, porque se esforça para propagar ilusões desde o início do governo. A Globo e os jornais são inimigos de Bolsonaro, mas ainda tentam salvar Paulo Guedes para que complete o serviço.

E assim vão camuflando a verdadeira face das duas grandes gambiarras que seguraram o consumo básico e algumas comprinhas dos chamados bens duráveis.

Sem esses improvisos, o comércio, a indústria e o bolsonarismo já teriam desmoronado. A primeira gambiarra foi a liberação do FGTS. A segunda é agora o auxílio emergencial, que em algumas regiões equivale a pleno emprego.

Só que o FGTS já acabou e está apenas pingando o que sobrou. E o socorro emergencial da pandemia também acaba em dezembro.

Bolsonaro sustentou precariamente a economia até agora com esses dois improvisos, o primeiro descaradamente oportunista (porque queimou uma poupança) e o segundo involuntário (que ele não queria conceder e só foi liberado por pressão e deliberação do Congresso).

Dirão que há os ganhos do agro, e o agro é pop, com as exportações que asseguram renda para eles mesmos, mas não geram emprego direto. Esse é outro departamento, alheio à vida do povo.

O povo agora sem direito de comer arroz manteve algum consumo, com a economia respirando, por causa das gambiarras. O FGTS e o auxílio emergencial fizeram com que muita gente tivesse um dinheiro que nunca viu na vida.

Tem-se aí uma realidade passageira que os protetores de Guedes tentam escamotear. E assim Bolsonaro vai ganhando sobrevidas pelo que é provisório. Nada do que faz tem o sentido da permanência. Até a melhoria da sua imagem está de passagem e pode ir embora.

Com o fim da ideia do programa de renda mínima, porque não havia mesmo de onde tirar o dinheiro, Guedes e Bolsonaro são dois abraçados se debatendo depois da rebentação.

Um acha que depende do outro, um puxa o outro para o fundo, e os dois podem afundar juntos gritando que devem ser salvos por causa das reformas.

Com o esgotamento do efeito dos improvisos de renda que seguraram o povo com alguma comida na panela, Bolsonaro terá de encontrar outras gambiarras.

Se Paulo Guedes não ajudar, Bolsonaro chama outro, talvez alguém menos ostensivo, que possa ser bem mandado pelos generais (acreditem, eles estão loucos para assumir a economia, tendo apenas um testa de ferro com alguma reputação que sirva de subalterno operacional).

O problema é que o próprio Bolsonaro é uma gambiarra com fios desencapados. O fim da pandemia pode ser o começo do fim de Bolsonaro, já sem Paulo Guedes.

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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