A Corrupção no Paraíso

15 de outubro de 2020, 16:52

A confirmação de que o lema de combate à corrupção da campanha de Bolsonaro era artifício eleitoreiro está aí agora para todos observarem. As provas contundentes contra Lula não se confirmaram. O ilibado Moro foi desacreditado e com o rabo entre as pernas vai embora do país. Ele acabou trabalhando amoralmente para um governo que o defenestrou. A corrupção do Governo Bolsonaro que agora circula livremente não causa nenhum mal estar   na população, principalmente a que o elegeu, porque não vem acompanhada de todas as mentiras que ajudavam a confeitar o bolo. Uma campanha de fake news bombardeando com disparos ilegais e uma justiça que corroborava com esse projeto foram fatais.

Bolsonaro venceu e hoje ele pode dizer que não existe mais corrupção no seu governo porque ninguém acredita que exista. As próprias instituições que, mais ou menos, tem que trabalhar dentro da lei e da constituição levam o tempo necessário para julgar cada caso, e olha que são muitos. Nem a esquerda, nem as instituições respondem com disparos de fake news sobre as fake news recebidas. A corrupção não existe no governo Bolsonaro porque nunca existiu para ele e para a sua bolha que, religiosamente, reza o seu terço.

Agora, reconstruir tudo que os governos democráticos anteriores construíram e foi destruído vai dar trabalho. Primeiro porque terão que continuar lutando contra as mentiras espalhadas pela direita. Depois porque enquanto discutimos, inclusive agora aqui esse assunto, a boiada do Salles e do Guedes vai passando. O pasto brasileiro vai ocupando toda a natureza dentro do projeto da bancada do agronegócio. Guedes vai fazendo o que pode e as privatizações vão satisfazendo a bancada do mercado de capitais. Bolsonaro e seus ministros vão desmontando a cultura porque não serve aos interesses do mercado nem do seu governo. Além de tudo, cultura custa caro. O que dá de emprego não interessa visto que a intenção do governo é acabar com o trabalho formal.

Neste vale tudo que o Brasil vai se transformando a caixa registradora virou a taça oferecida aos vencedores. A cultura resiste porque é teimosa e acaba sobrevivendo mesmo nos regimes mais autoritários. Talvez, oficialmente, na China não resista, mas com aquela população toda, a China com seu Capitalismo de Estado vai melhorando a condição de boa parte da sua enorme população. Hoje não acreditamos mais nas histórias de mocinhos e bandidos e achamos que a liberdade americana poderá salvar o povo chinês da opressão. Que opressão cara pálida? E que liberdade vivem os milhares de pobres americanos, os negros e os latinos? No Capitalismo Selvagem americano se salva que deu sorte ou quem foi rápido no gatilho.

 Não existe um projeto político de fato humanitário que coloque o ser humano em primeiro lugar. Salvo alguns países do norte europeu e algumas tentativas pelo mundo afora, viver continua sendo muito perigoso e boa parte da população passa fome para que uma pequena parte fique cada dia mais rica. Esse é o jogo que há alguns anos um alemão barbudo começou a decifrar. A fome está aí para mostrar para todos como o mundo continua injusto e desigual. Não dá para esconder, nem para disfarçar.

Um governo como o do Bolsonaro, apesar de gostar de ter dado dinheiro para os pobres, não tem mais de onde tirar e decidiu não falar mais disso. Perceberam? No meio desse horror todo que o mundo está vivendo na pandemia e que o Brasil está refletindo através do desemprego e da volta da fome, um jornal como o Globo estampa na sua capa uma manchete que diz que o Rio de Janeiro entra em processo de empobrecimento ao contrário do resto do país que , segundo eles, aumentou sua classe C. Esquecer de propósito a verdade é também uma mentira. O auxílio emergencial aumentou provisoriamente esse contingente que melhorou (em números) de vida. Mas, se bobear, até já acabou. O Brasil inteiro está empobrecendo porque não interessa ao governo e seus cupinchas melhorar a condição de vida do povo redistribuindo a renda e taxando as grandes fortunas. O resto, é conversa para boi dormir, ou para a boiada passar.

Escrito por:

Cartunista, diretor de arte e ilustrador além de jornalista, comentarista e autor de teatro, cinema e televisão.

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