Contagem regressiva

17 de agosto de 2020, 16:50

Não será surpresa para ninguém se, amanhã, Sérgio Moro tuitar de Miami informando ser mais um foragido da Justiça a se passar por exilado político, a exemplo de Abraham Weintraub e Allan dos Santos, essas duas ratazanas do bolsonarismo que não perdem por esperar.

O castelo da Lava Jato, construído sobre o monumental cadáver econômico do País, está ruindo por todos os lados, mas nada se compara ao estrago feito pelo relatório da Polícia Federal sobre as delações premiadas feitas pelo ex-petista Antonio Palocci.

O texto, assinado pelo delegado federal Marcelo Feres Daher, revela um amontoado de mentiras e ilações copiadas da internet e transformadas em máquina de assassinato de reputações, à véspera das eleições de 2018, a mando de Sérgio Moro. Ação estrategicamente usada para ajudar a eleger Jair Bolsonaro, de quem o ex-juiz seria ministro da Justiça, por alegres 18 meses.

O vazamento criminoso da falsa delação de Palocci tratava de acusações em torno do Fundo Bintang, sobre o qual se alegava a existência de repasses de informações privilegiadas do governo ao Banco BTG. Era uma maneira de, numa mesma jogada, envolver os nomes de Lula e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A perícia feita pela PF demonstrou que jamais houve qualquer ganho do BTG vinculado à manobra falsamente apontada por Palocci e Moro.

Outros dois inquéritos abertos pela Polícia Federal, com base nas delações de Palocci, já haviam sido arquivados. Sem falar na decisão mais recente da 2ª Turma do STF, que, simplesmente, anulou as acusações produzidas em conjunto por Palocci e por Moro, às vésperas da eleição de 2018, dentro de uma ação penal contra Lula.

Antonio Palocci vendeu sua alma à Lava Jato para reduzir a pena à qual foi sentenciado, de 18 para 9 anos, e, ato contínuo, foi conduzido, de bico calado, para uma prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, acolhido em um luxuoso apartamento na rica região dos Jardins, na capital paulista.

De onde, provavelmente, nunca mais poderá sair sem levar merecidas cusparadas na cara, por ter se tornado o traidor abjeto que é.

Trata-se de um cadáver político.

Sérgio Moro ainda tem alguma popularidade entre a multidão de incautos, hipócritas e falsos moralistas que a Lava Jato, com a ajuda da mídia, arrebanhou, nos últimos seis anos.

Mas é pouco provável que fique no Brasil para ser imolado publicamente depois de ter feito tanto por sua pátria-mãe, os Estados Unidos da América.

Escrito por:

Jornalista, escritor e professor. Sócio fundador da agência de publicidade e marketing digital CobraCriada.

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