Ainda há tempo de impedir que Portugal mergulhe no abismo
O líder do partido Chega, André Ventura, personifica uma vasta teia de relações, dentro e fora de Portugal, que se estende até à família Bolsonaro, no Brasil, e a grupos de extrema-direita em várias partes do mundo.
Trata-se de um projeto político que ameaça trabalhadores, imigrantes e a própria Constituição do país. O seu próximo objetivo é tornar-se Presidente da República já no próximo domingo.
E, como não poderia deixar de ser, há um liberal que apoia esse projeto.
O “sincericídio” de Cotrim de Figueiredo, candidato da Iniciativa Liberal, ao afirmar que apoiaria Ventura num eventual segundo turno, revela que ambos partilham a mesma agenda: redução do papel do Estado na sociedade, cortes nos apoios sociais e nos serviços públicos, privatização da Segurança Social, do SNS, dos transportes e da educação, entre outras medidas de caráter neoliberal.
A isso somam-se as denúncias de assédio sexual que atingiram duramente a campanha de Cotrim na última semana.
Paralelamente, as denúncias de tortura e de violações cometidas pela Polícia de Segurança Pública (PSP) contra imigrantes acendem um alerta sério para a possível consolidação de um projeto de inspiração fascista num país que acaba de celebrar os 50 anos da Revolução de Abril.
Estamos a dois dias das eleições presidenciais em Portugal. Ainda há tempo de impedir que o país mergulhe no abismo.