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Ainda há tempo de impedir que Portugal mergulhe no abismo

16 de janeiro de 2026, 14:21

O líder do partido Chega, André Ventura, personifica uma vasta teia de relações, dentro e fora de Portugal, que se estende até à família Bolsonaro, no Brasil, e a grupos de extrema-direita em várias partes do mundo.

Trata-se de um projeto político que ameaça trabalhadores, imigrantes e a própria Constituição do país. O seu próximo objetivo é tornar-se Presidente da República já no próximo domingo.

E, como não poderia deixar de ser, há um liberal que apoia esse projeto.

O “sincericídio” de Cotrim de Figueiredo, candidato da Iniciativa Liberal, ao afirmar que apoiaria Ventura num eventual segundo turno, revela que ambos partilham a mesma agenda: redução do papel do Estado na sociedade, cortes nos apoios sociais e nos serviços públicos, privatização da Segurança Social, do SNS, dos transportes e da educação, entre outras medidas de caráter neoliberal.

A isso somam-se as denúncias de assédio sexual que atingiram duramente a campanha de Cotrim na última semana.

Paralelamente, as denúncias de tortura e de violações cometidas pela Polícia de Segurança Pública (PSP) contra imigrantes acendem um alerta sério para a possível consolidação de um projeto de inspiração fascista num país que acaba de celebrar os 50 anos da Revolução de Abril.

Estamos a dois dias das eleições presidenciais em Portugal. Ainda há tempo de impedir que o país mergulhe no abismo.

Escrito por:

Radicada em Lisboa, é jornalista correspondente de Opera Mundi e escreve em veículos como Jacobin Brasil, Jornal Expresso e Rádio TSF Portugal. Atuou em redações como Revista Brasil Já e Sapo Mag, além de contribuir para diversos meios, entre eles Brasil de Fato, ICL Notícias, Brasil 247, DCM, Correio Braziliense e Rádio Bandeirantes. Cobriu conflitos como as guerras da Ucrânia e do Líbano, as eleições presidenciais na Rússia, as eleições judiciais no México e a Cúpula do Brics, em Kazan e no Rio. Seus principais focos são guerras, conflitos, direitos humanos, migrações, habitação, política e cultura.

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