O fim da escala 6X1 e o fim da escravidão: a mesma ladainha

12 de fevereiro de 2026, 13:48

Os jornalões têm dado manchetes alarmistas para a possibilidade de fim da escala 6X1 na jornada de trabalho. Este é o título da coluna de Vera Magalhães na capa do Globo:

“Fim da escala 6×1 tem de ser discutido com equilíbrio”

Os jornalões do século 19 tinham a mesma preocupação com o fim da escravidão.

Se fosse manchete de A Província de São Paulo em 1888 (e que vem a ser o atual Estadão), a chamada da colunista ficaria assim:

“Fim da escravidão tem de ser discutido com equilíbrio”

Resumindo, se é que precisa, o ‘equilíbrio’ só interessa a quem detém poder econômico e político e explora o trabalho dos outros.

O fim da escravidão provocou a mesma reação que a redução da escala de trabalho provoca hoje. O Brasil iria acabar.

Não acabou, mas um ano depois os escravocratas se juntaram, convocaram os militares e aplicaram o golpe da ‘proclamação da República’.

O Estadão era, no discurso, pela abolição, como Globo, Folha e Estadão dizem ser hoje pela defesa da democracia.

Mas os jornalões de hoje ajudaram a criar Bolsonaro, que é explicado, ao lado dos seus generais, pelo que aconteceu a partir de 1889.

O medíocre Marechal Deodoro da Fonseca é o pai de todos os generais golpistas, principalmente dos medíocres que estiveram com Bolsonaro e fracassaram na tentativa de derrubar Lula.

Reprodução: Blogdomoisesmendes

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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