Perguntei para os leitores: “E quando acabar a pandemia, o que você quer fazer?

12 de maio de 2020, 16:26

“Elucubrando sobre o ‘novo normal’ no país com o azar de enfrentar um presidente estúpido e uma pandemia ao mesmo tempo”, escreve a jornalista Cynara Menezes

Por Cynara Menezes, no Socialista Morena e para o Jornalistas pela Democracia 

Tenho a impressão de que nós, brasileiros, somos o povo mais azarado da face da Terra nesse momento. Nós, no planeta inteirinho, fomos os escolhidos para enfrentar uma pandemia e ao mesmo tempo o governante mais estúpido do mundo. Não sou eu quem diz, não, é Washington Post: Bolsonaro é o pior líder, entre todos, na gestão da crise do coronavírus, disse o jornal em editorial. E olha que isso foi antes de nosso presidente passear de jet-ski enquanto o país ultrapassava a marca dos 10 mil mortos.

Às vezes penso que, se Deus é brasileiro, deve ter migrado para a Argentina. O que nós fizemos para merecer essa tragédia de proporções bíblicas que é ter a Covid-19 e Bolsonaro de uma só vez? A pandemia e o pandemônio? O vírus e o verme? Graças à irresponsabilidade do gestor federal, os governadores estão tendo que endurecer as regras do confinamento para tentar impedir um colapso do sistema de saúde.

O que nós fizemos para merecer essa tragédia de proporções bíblicas que é ter a Covid-19 e Bolsonaro de uma só vez? A pandemia e o pandemônio? O vírus e o verme? Se Deus é brasileiro, migrou para a Argentina

Dizem os especialistas que no final de maio a pandemia alcança o pico e a partir daí poderemos, aos poucos, voltar à “normalidade”, ou à “nova normalidade”. Nunca vivemos uma época de tantas incertezas como agora. O que será este novo normal? As máscaras farão parte do nosso cotidiano até quando? E se nunca mais pudermos deixar de usar máscaras, como nos filmes de ficção científica? E se esse futuro já chegou?

Reflito sobre o porvir caminhando, nariz e boca tapados, no caminho para o supermercado. O céu noturno em Brasília está despejado, cheio de estrelas e a lua brilha. A atmosfera está perfeitamente respirável. Nada a ver com a “chuva ácida” de Blade Runner. Como acreditar que neste mesmo ar bilhões de coronavírus se agitam, doidos para entrar no meu organismo? Enquanto isso, não muito longe dali, milhares de brasileiros (170 mil e subindo) precisam de ventiladores mecânicos para respirar…

E quando tudo isso acabar? Não nos resta muito a fazer a não ser imaginar o que queremos fazer após a pandemia. Sonhar com dias melhores. Perguntei no twitter o que as pessoas mais desejam depois que a quarentena acabar. As respostas dão um quentinho no coração neste princípio de inverno ensolarado porém frio e rodeado de sombras…

Foram centenas de respostas, quase 500 até agora. Selecionei algumas e organizei-as em nove temas por ordem de importância, a partir da minha própria premissa: como moro longe da família, meu primeiro desejo é revê-los, assim como todos na mesma situação que a minha; quem mora com os pais manifesta outras vontades mais urgentes. Detalhe: desejos pessoais empatam com o desejo coletivo de tirar Bolsonaro do poder tão logo pudermos sair de casa.

Afinal, a esperança é a última que morre, né, gente?

1. Rever a família e os amigos

2. Arrancar Bolsonaro do Planalto

4. Bye, bye, Brasil

5. Ficar perto da natureza

6. Ir num show

7. Namorar muuuuitooo

8. Dar um pega

9. Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Escrito por:

Cynara Menezes é baiana de Ipiaú e tem 53 anos. Formou-se em jornalismo pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) em 1987. Desde então, percorreu as redações de vários veículos de imprensa, a começar pelo extinto Jornal da Bahia: Jornal de Brasília, Folha de S.Paulo, Estadão, revistas IstoÉ/Senhor, Veja, Vip, Carta Capital e Caros Amigos. Atualmente se dedica com exclusividade a seu site Socialista Morena. É autora dos livros Zen Socialismo (os melhores posts do blog Socialista Morena), pela Geração Editorial, O Que É Ser Arquiteto, com João (Lelé) Filgueiras, e O Que É Ser Geógrafo, com Aziz Ab’Saber, os dois últimos pela editora Record.

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