Conama no ministro Ricardo Salles depena a proteção ao Meio Ambiente.

Salles anunciou a indecência e ele mesmo a pôs em prática. Forte ele é

28 de setembro de 2020, 16:47

Em uma terra com lei, ele sequer estaria no cargo. Mas, convenhamos, forte o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é. Isto já tinha sido evidenciado na tristemente célebre reunião ministerial da vergonha, no dia 22 de abril, quando ele foi peça destacada no festival de despautérios proferidos pelo próprio chefe, o igualmente inadequado presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e por alguns integrantes do ministério, indecorosos feito ele, tais como o então titular da Educação, Abraham Weintraub. Na ocasião Salles, em dia de réu confesso, sugeriu “passar a boiada” de ilegalidades na sua pasta aproveitando o momento em todo mundo “só queria saber da Covid-19”.

Como forte ele é, intocável no posto permaneceu. E nesta segunda-feira (28), o próprio Salles pôs em prática a imoralidade que ele mesmo anunciou com cinco meses de antecedência.  O órgão que determina as diretrizes da política do setor no País, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), presidido pelo ministro, confirmou sua versão da máxima “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Sem cerimônia ou preocupação com a decência ou com a opinião pública, o já depenado Conselho fez o mesmo (depenou)  todo o conjunto de resoluções que davam o norte da política ambiental brasileira há mais de 20 anos. Na terra em que o gado elege presidente da República, a boiada passou, deitou e rolou. Como previsto.

A partir de agora, pelo que decidiu o “mau Conselho”, estarão ao Deus dará questões da maior importância para o Meio Ambiente, no País, Como a  preservação de restingas e manguezais; o licenciamento ambiental para irrigação; a delimitação de áreas de Preservação Permanente (APPs); a regulamentação da queima de resíduos domiciliares, se serviços de saúde e de agrotóxicos, com liberação de fornos. E vai por aí, num rosário de impropriedades que deixa cada vez mais desprotegida a Natureza de um país que devasta a Amazônia na proporção de 34% ao ano (2019/2020), que deixa dizimar 20% do Pantanal e que, por política pública, tem o agronegócio e a grilagem de terras indígenas como ilegítimas e tenebrosas instituições.

Para quem tem a memória curta, vale uma cutucada. Ricardo de Aquino Salles foi condenado por crime ambiental em 19 de dezembro de 2018, poucos dias antes de assumir o posto. Crime de improbidade administrativa, com perda de direitos políticos por três anos e, de acordo com a sentença do juiz Fausto José Martins Seabra, “impedido de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios”.  Nada demais em um governo como o de Bolsonaro, prenhe de tantas barbaridades em tudo quanto é área, a começar pelo Meio Ambiente, de quem o presidente é um desafeto declarado.

Salles seria ministro em outro tipo de governo? Provavelmente não. Neste, ele cumpriu à risca com o que dele se esperava. Está no perfil.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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