Fascistas, nazistas e jornalistas

15 de fevereiro de 2022, 12:53

Kim Kataguiri vai usar a tática do véio da Havan e atacar com processos em massa contra quem escreve e diz o que eles não querem ler e ouvir.

Kataguiri não quer ser identificado com o nazismo, depois de ter defendido as liberdades e o direito de opinião dos nazistas.

Muitos dos alvos de Kataguiri são jornalistas. Como também são jornalistas, em maioria, os alvos do véio da Havan. Mas há em ambos os casos profissionais das mais diversas áreas.

O empresário tenta desesperadamente impedir que relembrem que ele se envolveu em delitos graves. Delitos e crimes que resultaram e ainda resultam em investigações, denúncias e processos. Todo mundo sabe.

Kataguiri tenta se livrar do estigma de defensor da teoria de que o nazista pode dizer impunemente o que pensa. Em 2019, Kataguiri cometeu uma contradição em relação a essas posições ditas ultraliberais.

Investiu contra o jornalista Altamiro Borges, que havia chamado o sujeito de fascista. Processou Altamiro, que venceu o processo na Justiça em primeira instância.

Eu escrevi sobre esse caso e republico o link do texto agora (ao final desse artigo) por entender que o argumento pela absolvição de Altamiro é decisivo para decisões em outros episódios assemelhados.

Altamiro Borges é um dos militantes e estudiosos do jornalismo ainda chamado de alternativo. Conversei com ele semana passada, em uma live com Benedito Tadeu Cesar, na TV da Rede Estação Democracia, sobre o que podemos esperar do jornalismo num terceiro governo Lula.

E depois dessas conversas sempre fica dependurada uma pergunta constrangedora: por que os jornalistas em geral não defendem os jornalistas sob ataque dessa gente?

Também conversei em janeiro com um dos jornalistas visados pelo véio da Havan. E a pergunta ficou ali, como uma mosca incômoda: por que uma minoria se manifesta publicamente?

Por que as entidades da categoria ficam caladas? É medo? É covardia? Por que não temos mais uma entidade com o poder da ABI de Barbosa Lima Sobrinho?

Não é uma situação normal. Os ataques não são normais, e não há paralelo com outras situações em que a Justiça tenha sido usada para calar em tempos de democracia.

Na ditadura, a Justiça foi amordaçada e esteve sob controle quase absoluto. Hoje, na democracia, a tática é a do uso e abuso do poder econômico e de imunidades diversas para perseguir os que eles consideram adversários e inimigos.

O caso do Lula é o caso de Lula. Os casos de gente comum não aparecem e não ganham a mesma dimensão. Como acontecia no nazismo.

Ontem, num comentário no meu perfil no Facebook, o jornalista Flavio Aguiar observou que a resistência de gente comum ao nazismo foi muito maior do que se imagina. Mas era uma resistência fracionada, dividida e na maioria das vezes desorganizada.

Importa que resistiam, desesperadamente. Outros contam e recontam as histórias de velhinhos que tentavam salvar pelo menos os bichos dos vizinhos da perseguição dos nazistas em Paris.

Os vizinhos mais assustados perguntavam: por que vocês estão fazendo isso?

Os velhinhos respondiam: por que vocês não estão fazendo nada?

Vamos tentar romper esses silêncios e agir como agem jornalistas com o tamanho do Altamiro Borges.

Abaixo, o link do texto:

https://www.blogdomoisesmendes.com.br/fascistas-3/?fbclid=IwAR1yDvght4x9EwSKV8OpfIgusf0kiyXs9OUJYwCISyjPEVVOz5qL1fOdIOI

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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