Foto: Carlos Becerra/Getty Images

A oposição na Venezuela sabe que foi sequestro

9 de janeiro de 2026, 16:56

No domingo, relatei à SIC Notícias (emissora de TV em Portugal) o assassinato de Rosa Gonzáles, de 80 anos. Antes mesmo da reportagem do New York Times, já havia recebido imagens do bombardeio daquela região pelos Estados Unidos. Aos poucos, a narrativa de que a “operação militar” de Donald Trump não deixou vítimas vai se desfazendo. Hoje também sabemos que, horas após a apresentação de Nicolás Maduro e Cilia Flores ao tribunal estadunidense, o Departamento de Justiça recuou na acusação contra o presidente venezuelano, alegando a incapacidade de provar a existência do chamado “Cartel de los Soles”. A oposição democrática na Venezuela tem consciência de que Maduro foi sequestrado. Estive em Caracas, conversei com trabalhadores, empresários, figuras públicas e políticos. A ideia de que uma intervenção militar resolveria os problemas do país não mobilizou a população, que estava mais focada em celebrar o que poderia ser — e foi — o último Natal antes da “guerra”. A recente entrevista de Maria Corina Machado à Fox News apenas confirma tudo o que foi mencionado anteriormente. Ao declarar estar disposta a entregar o Prêmio Nobel da Paz ao responsável pelas centenas de mortes desde os ataques no Mar do Caribe e no Pacífico, ela revela a verdadeira face do que afirma ser “a defesa pela democracia”. Sim, ainda temos mais perguntas do que respostas. Mas um fato é claro: quem apoia o ataque criminoso de Trump nunca se importou verdadeiramente com as vidas dessas pessoas.

Escrito por:

Radicada em Lisboa, é jornalista correspondente de Opera Mundi e escreve em veículos como Jacobin Brasil, Jornal Expresso e Rádio TSF Portugal. Atuou em redações como Revista Brasil Já e Sapo Mag, além de contribuir para diversos meios, entre eles Brasil de Fato, ICL Notícias, Brasil 247, DCM, Correio Braziliense e Rádio Bandeirantes. Cobriu conflitos como as guerras da Ucrânia e do Líbano, as eleições presidenciais na Rússia, as eleições judiciais no México e a Cúpula do Brics, em Kazan e no Rio. Seus principais focos são guerras, conflitos, direitos humanos, migrações, habitação, política e cultura.

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