Brasileiros no Líbano temem que país vire alvo em guerra no Oriente Médio
Diante do ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, na madrugada deste sábado (28/02), o sinal de alerta voltou a soar no Líbano.
Opera Mundi conversou com brasileiros que estão no sul do país, entre as cidades de Tiro e Sídon, próximas à fronteira com Israel.
Segundo Claudia Melhem, “a situação ficou tensa por aqui. Tememos que este ataque ao Irã acabe atingindo o Líbano novamente”.
“Estamos em alerta e prontos para pegar o carro e sair se for necessário”, relata a brasileira que reside em Tiro. Em 2024, sua casa foi destruída por seis mísseis israelenses.
Em grupos que reúnem mulheres residentes no sul do país, a recomendação é deixar tudo preparado para uma possível evacuação, incluindo malas com pertences essenciais e passaportes.
“É importante também manter o tanque do carro cheio, caso os postos de gasolina fechem”, orienta uma das moradoras.
Arrogância de Israel
Cláudia já havia confirmado que longas filas de carros em busca de combustível já se formavam logo pela manhã, numa possível fuga em massa da população, como aconteceu durante a última agressão israelense contra o Líbano.
Elas lembraram ainda que durante o ataque deste sábado, pelo menos 85 estudantes foram mortas numa escola primária feminina em Minab, no sul do Irã, segundo a agência de notícias Fars.
“Infelizmente as mulheres e as crianças são as primeiras a pagarem a conta”, desabafa uma das mães residentes em Yater, aldeia libanesa localizada a sete quilômetros da fronteira com Israel.
Alguns hotéis e hostels localizados em zonas centrais do Líbano também se preparam para receber famílias deslocadas, em um gesto de solidariedade com os moradores do sul. Estes denunciam que Israel nunca respeitou de fato o cessar-fogo acordado em 2024.
“A arrogância e a ambição dos líderes, que deveriam proteger suas populações, fazem com que soframos as consequências de uma violência causada pela falta de diálogo e compaixão”, escreve uma residente.
Em outro grupo, se destaca a mensagem de um morador de Naqoura, cidade que sedia a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL),ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O cidadão, que preferiu ter sua identidade preservada, conta que foi acordado pelo barulho das bombas caindo em território israelense.
Em outro relato, um comerciante local – também pedindo anonimato por segurança – relata que “como moro perto da fronteira, para mim é mais perigoso. Já deixamos prontas as malas dos nossos filhos, caso precisemos sair e buscar outro lugar”.

Ataque adiantado
Segundo a imprensa libanesa, um ataque ao Irã já era esperado, mas para março. Em declaração oficial, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que não aceitará que “ninguém arraste o país para aventuras que ameacem sua segurança e unidade”, em referência indireta ao Hezbollah, que ainda tem forte influência no sul do Líbano.
Desde janeiro, moradores da região sul já alertavam para a possibilidade do Hezbollah agir caso houvesse uma guerra contra o Irã. “Ficamos com medo, né? Mas, se Deus quiser, isso não vai acontecer”, escreveu uma jovem de Sídon.
Kátia Aawar, líbano-brasileira que trabalha com assessoria de documentos para a comunidade brasileira e também coordena grupos de assistência a mulheres imigrantes, afirma que em Beirute a situação está controlada, ao contrário do sul. Ela ressalta ainda que, devido à insegurança, a procura por pedidos de passaporte voltou a disparar.
“Aqui (em Beirute) não sentimos tanto quanto lá. Mas algumas famílias já procuram apartamentos na capital. Venho orientando a comunidade, especialmente em área de conflito, a manterem seus documentos em dia. São situações imprevisíveis, pois pode acontecer de tudo ou nada. O importante é manter a calma”, explicou.
Colaboracionismo europeu
A respeito das manifestações dos países do bloco europeu, é importante salientar que Portugal contribuiu indiretamente ao permitir a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos no contexto do ataque ao Irã, feito com apoio de Israel.
Fontes ligadas ao governo alemão também indicam que Berlim teria sido informado sobre a agressão com antecedência.
Com informações de Fars.
Reprodução: operamundi