Fiasco dos “protestos” do MBL. Brizola e Arraes teriam ido?

13 de setembro de 2021, 18:27

Dá para se imaginar a expressão de Leonel Brizola, se vivo estivesse, para a patacoada em que o PDT se meteu, cravando o seu nome e sua legendária sigla ao fracasso anunciado do estranho “Fora Bolsonaro” do MBL, um agrupamento de direita responsável pela ascensão do próprio Jair Bolsonaro ao poder, através de expedientes suspeitos e mentiras deslavadas.

Um dos maiores líderes políticos da esquerda sul-americana, o velho Brizola, com toda certeza, coraria de vergonha e daria um NÃO ROTUNDO à aventura desvairada do seu querido partido, coisa da cabeça do novo líder da legenda, o eterno possível candidato a presidente e salvador da Pátria Ciro Gomes. Ciro, como de praxe, estava lá para recitar o seu mantra anti-Lula, tão ultrapassado quanto ineficaz.

Os protestos realizados pelo Movimento Brasil Livre constituíram um fracasso monumental, de norte a sul do País. No seu maior público, em São Paulo e com a presença do governador João Dória, a Segurança Pública chegou a chutar 6 mil pessoas, número logo desmoralizado pelo próprio MBL, que achou no máximo 2 mil. No Recife, não chegaram a 300 pessoas. Em algumas capitais, não deu 50. O fiasco foi tanto que chegou a ser lamentado por carro de por um de seus líderes.

Pudera. Foi o tipo da programação concebida e realizada sob o signo da fraude de origem. Batizada pela grande mídia de “atos da Terceira Via”, a série de eventos comprovou que, sem a esquerda efetivamente presente e participante, qualquer protesto contra o fascismo dá no que deu o do MBL.

Foram registrados, da parte dos partidos progressistas, alguns equívocos aqui e ali: o PCdoB, crente que estava fortalecendo uma “frente ampla”, e o PSB, certo de que se combate o fascismo se aliando a quem o ajudou a vingar – Miguel Arraes teria ido? Além do que, convenhamos, não dá para se acreditar num protesto antifascista cuja mais importante personagem apresentada como de esquerda é Ciro Gomes.

Mais fake que o MBL gritando “Fora, Bolsonaro”, só mesmo a facada do próprio Bolsonaro, agora desmascarada com uma grande farsa. Mas, isto é outro assunto.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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