Folha esconde que O Agente Secreto fala da ditadura
Trechos de um editorial fofo da Folha sobre as conquistas de O Agente Secreto:
“Agora, Wagner Moura, melhor ator de drama, assegurou à cinematografia brasileira uma inédita dupla de láureas. O feito poderia ser visto como um ponto luminoso, desses que ao longo do tempo lembram a todos, inclusive a nós mesmos, que o Brasil é capaz de fazer ótimos filmes”.
Nada, uma linha sequer, em todo o editorial, sobre o que é o filme. Nenhuma linha sobre arte, cinema e memória, que aparece nas falas de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura.
Nenhuma frase sobre a realidade brasileira mostrada nos filmes que o editorial cita, incluindo Ainda estou aqui.
Porque a Folha não apoiou só o golpe, apoiou a ditadura, e essa memória do colaboracionismo não pode ser tocada.
A Folha trata o cinema brasileiro atual apenas como um ponto luminoso e repete a ideia mais adiante:
“Essa fase iluminada tem sido marcada não apenas por prêmios relevantes, reconhecimento de críticos internacionais e exibições em outros continentes. Presenciamos, ainda, um bem-vindo encontro com o público, que reconhece seu país nas telas”.
É um editorial precário, de quarta série (escrito com a ajuda da Inteligência Artificial?), que escamoteia o que não pode ser dito pela direita em ano de eleição.
O cinema está mexendo de novo nas podridões de anos recentes. E a grande imprensa estava lá.
A Folha não quer que muitas peças e redações escuras sejam iluminadas.
Reprodução: blogdomoisesmendes