“O Agente Secreto” é o filme selecionado pelo Brasil para entrar na briga pelo Oscar (Foto: Divulgação)

Folha esconde que O Agente Secreto fala da ditadura

13 de janeiro de 2026, 16:37

Trechos de um editorial fofo da Folha sobre as conquistas de O Agente Secreto:

“Agora, Wagner Moura, melhor ator de drama, assegurou à cinematografia brasileira uma inédita dupla de láureas. O feito poderia ser visto como um ponto luminoso, desses que ao longo do tempo lembram a todos, inclusive a nós mesmos, que o Brasil é capaz de fazer ótimos filmes”.

Nada, uma linha sequer, em todo o editorial, sobre o que é o filme. Nenhuma linha sobre arte, cinema e memória, que aparece nas falas de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura.

Nenhuma frase sobre a realidade brasileira mostrada nos filmes que o editorial cita, incluindo Ainda estou aqui.

Porque a Folha não apoiou só o golpe, apoiou a ditadura, e essa memória do colaboracionismo não pode ser tocada.

A Folha trata o cinema brasileiro atual apenas como um ponto luminoso e repete a ideia mais adiante:

“Essa fase iluminada tem sido marcada não apenas por prêmios relevantes, reconhecimento de críticos internacionais e exibições em outros continentes. Presenciamos, ainda, um bem-vindo encontro com o público, que reconhece seu país nas telas”.

É um editorial precário, de quarta série (escrito com a ajuda da Inteligência Artificial?), que escamoteia o que não pode ser dito pela direita em ano de eleição.

O cinema está mexendo de novo nas podridões de anos recentes. E a grande imprensa estava lá.

A Folha não quer que muitas peças e redações escuras sejam iluminadas.

Reprodução: blogdomoisesmendes

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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