Nikolas não foi o único a presentear o PCC

29 de agosto de 2025, 12:34

São muitos os textos e falas que estabelecem algum tipo de conexão entre as atitudes de Nikolas Ferreira e os interesses do crime organizado.

Mas não há como afirmar que o deputado da peruca tem ligações com o PCC. Nada disso. Não se sabe de nenhuma prova que o incrimine. Até porque Nikolas escapa sempre de tentativas de incriminação.

O que dá para dizer é que tudo o que ele fez, em janeiro, quando sabotou a tentativa da Receita de exigir informações básicas das movimentações financeiras das fintechs, favoreceu o crime organizado.

Não é só a Receita que faz essa relação, ao se manifestar agora sobre os ataques à norma soterrada pela gritaria e pelas fake news do bolsonarismo, em vídeos divulgados principalmente por Nikolas.

Também não são apenas os jornalistas de esquerda que exploram essa conexão. Vinicius Torres Freire escreveu ontem na Folha:

“A propaganda mentirosa das direitas, da bolsonarista em particular, acabou por derrubar a norma. Dizia, em suma, que o governo Lula queria espionar o PIX, armação destinada a facilitar uma fantasiosa cobrança de impostos sobre essas transações. Era um ataque destrutivo à possibilidade de debate e deliberação democrática”.

Freire diz mais:

“A propaganda da direita facilitou a vida do PCC. (…) Considerem-se as consequências das ações dessa gente lunática, perturbada, ignorante, violenta e dada à política de terra arrasada. Foram criminosamente nocivas na epidemia de Covid, na vacinação, no 8 de janeiro e na repressão do PCC e de seus associados”.

Gente lunática e conectada, talvez por ignorância, às demandas da bandidagem acumpliciada com o mercado financeiro. Mas o que pode acontecer com Nikolas, mesmo que parlamentares do PT estejam encaminhando pedidos de investigação do colega?

É mais provável que não aconteça nada. Como não aconteceu, como reparação significativa, depois dos ataques transfóbicos do sujeito em teatro na tribuna da Câmara. É provável até que a defesa de Nikolas, se ele tentar uma invertida, seja mais incisiva do que a denúncia de que facilitou a vida do PCC.

Nikolas se protege, e vem sendo vitorioso, na conversa da liberdade de expressão absoluta. Mas um dia o cara do PIX poderá se dar mal, como aconteceu com Carla Zambelli e outros com a mesma agressividade? Não apostem.

Lembrando ainda que não só a nova extrema direita, mas a direita antiga e cheirosa, tucana e liberal também ajudou o PCC ao embarcar na conversa de Nikolas no início do ano. 

Um representante de peso dessa gente, colega de Freire no colunismo da Folha, o economista e filósofo Joel Pinheiro da Fonseca espalhou terror em artigo de 13 de janeiro.

O sujeito escreveu que o brasileiro via algum sentido nas ‘notícias’ sobre o PIX, porque a Receita não queria vigiar a circulação da dinheirama sem controle, mas preparar “uma investida contra trabalhadores informais” e “arrancar mais moedinhas do cidadão comum”.

Nikolas Ferreira e Joel da Fonseca merecem agradecimentos públicos do PCC, que movimenta bilhões em moedinhas em parceria com a Faria Lima. Fonseca conhece essa gente, é do meio do dinheiro e do rentismo e defende seu ponto de vista de arcabouços e outras coisas fiscais.

É um tucano extraviado e sem plano de voo e fala com os bacanas da Faria Lima, que Nikolas nem sabe onde fica, por ser de outra turma menos rendada. Mas Fonseca, esse fofo neoliberal, pode ficar na boa porque ninguém vai querer investigá-lo.  

  • Nikolas Ferreira em vídeo sobre Pix. Foto: Reprodução/Imagem modificada.

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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