Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro (Foto: Jonathan Hordle/PA Media Assignm)

O tchutchuca do Centrão virou bobo da Corte

19 de setembro de 2022, 18:23

Esqueceram de avisar Jair Messias e sua terceira senhora esposa que não era o aniversário da rainha Elizabeth, mas seu velório. Isso talvez sirva para explicar o sorriso camarada do ultradireitista brasileiro ao cumprimentar o príncipe, e agora rei, Charles, do velório da mãe.

Mencionar o tapinha no ombro e recordar que existe algo chamado protocolo seria perder tempo. Jair Messias só conhece o protocolo das armas e da violência.

Dona Michelle aproveitou para levar seu maquiador e fazer uma espécie de desfile de moda, enquanto o maridão se fez acompanhar pelo filho Dudu Bananinha, um padre católico e um desses exploradores da fé e da miséria alheia autointitulado bispo, o denegerado Silas Malafaia.  

De Londres o comboio foi para Nova York, onde entre outros luminares do Brasil despedaçado, a figura de Arthur Lira se juntou.  

Teria sido só um desperdício de dinheiro público se não fosse também um evidente aproveitamento de uma suposta agenda internacional para sua campanha eleitoral. E, de novo, um vexame de proporções olímpicas.

Em Londres Jair Messias apareceu na varanda da residência do embaixador brasileiro para falar a seguidores, como se estivesse no chiqueirinho do Palácio da Alvorada. Disse que vai ganhar no primeiro turno e chamou Lula de ladrão.

Negou, claro, que estivesse fazendo campanha eleitoral. Desancou uma repórter que se atreveu a mencionar o fato, e depois interrompeu o que seria uma entrevista quando o assunto voltou à tona.

Foi desancado pelos britânicos e levou uma tunda tremenda do The Guardian, um dos mais respeitados e importantes jornais do mundo. Mas conseguiu o que foi buscar: imagens dele e da excelentíssima primeira dama no exterior.  

Em Londres, nenhum líder importante ou de relativa importância sequer passou perto dele.  

Em Nova York, onde cumprindo um ritual de décadas será o encarregado de abrir formalmente uma nova assembleia da ONU, sua agenda marcava, por certo, reuniões com chefes de Estado e de Governo de potências como Sérvia, Guatemala, Equador e Polônia.  

Todos de extrema-direita, é claro, e todos isolados em suas respectivas regiões. E, confirmadas até esta segunda-feira, só duas: o presidente equatoriano, ligado à Opus Dei, e o fascistóide da Polônia.

Há, em castelhano, uma expressão que caberia precisamente para relatar as andanças de Jair Messias nestas vésperas de eleição: “Verguenza ajena”. Isso: sentir vergonha alheia pelo que alguém fez ou está fazendo.

No nosso caso, a coisa vai mais longe: o Tchuchuca do Centrão, ao virar bobo da Corte, reforça não apenas o seu isolamento pessoal, mas o isolamento do país.

Nada, claro, que não possa ser corrigido em velocidade relativamente rápida no próximo governo, mas que teve e tem um peso enorme graças a Jair Messias, e com consequências danosas para o país.  

Aliás, sobre sua agenda em Nova York, talvez haja uma razão paralela não mencionada: estaria Jair Messias negociando asilo para ele e parte de seu bando depois que for escorraçado da poltrona presidencial?

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Escrito por:

Eric Nepomuceno é jornalista e escritor

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