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Os golpes de banqueiros e bolsonaristas funcionam porque muitos acreditam neles

14 de janeiro de 2026, 11:30

É pretensa e genericamente moralista a abordagem que prevalece, na grande mídia e nas redes, sobre o caso Master. O que mais se expressa é o espanto: como puderam fazer isso com os que confiaram no pagamento de juros tão altos?

E temos então o que sabemos sobre a pirâmide, o rombo nas contas do Master, as mutretas com gente do Banco de Brasília, a promiscuidade com políticos, a leniência do Banco Central e o desespero de parte da grande imprensa.

Mas o que predomina é, a partir dessas anormalidades, a pauta que puxa a conversa para as questões éticas, incluindo a quase lenda do contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco.

Essa é a pauta de Marcelo Rubens Paiva em artigo na Folha, no qual admite que aplicava dinheiro no banco e que teme agora levar um calote.

O escritor atribui a tentação ao fato de que “os papéis eram oferecidos efusivamente por assessores da nossa personal fintech”. A fintech era efusiva, o aplicador aderiu à efusão e aconteceu o que se sabe.

É raso demais apontar o dedo para os aplicadores e dizer: ah, caiu na pirâmide do Daniel Vorcaro. Assim como é fácil, pelo ponto de vista da vítima, atribuir tudo aos ‘outros’.

Os outros são as fintechs efusivas em demasia, os que fizeram propaganda aberta para o banco, os que ajudaram a expandir o boca a boca e todos os que teriam sido cúmplices de Vorcaro.

Tratavam o Master como tratam todas as corporações e marcas do mercado financeiro, onde quase tudo é considerado normal, até o envolvimento da Faria Lima com o PCC.

Mas o tamanho do estrondo, principalmente nos jornalões, expôs desde o começo que há mais do que poupadores ‘simples e normais’, como Rubens Paiva, nessa história.

Há o que no Rio Grande do Sul se define como vítima de talagaços. Pelo tom de desespero da cobertura, percebe-se que há danos grandes não só para o que chamam genericamente de mercado. Há danos pessoais e empresariais pesados, o tal talagaço, o estrago das grandes perdas.

E aí a abordagem pretensamente moral não vale nada. Porque até a última aplicação, antes da implosão do banco, tudo parecia normal na anormalidade de quem pagava o que ninguém mais estava pagando.

Rubens Paiva, jornalista esperto, uma cabeça brilhante, escreveu na Folha:

“O banqueiro ostentação Daniel Vorcaro, figurinha carimbada da tradicional sociedade mineira, descobriu os furos do queijo suíço brasileiro, o poder, para praticar o golpe do século, tão manjado quanto a ameixa de um manjar branco, e montou uma pirâmide financeira”.

É como cair, muito antes das fintechs efusivas, no golpe do pacote, que só funcionava quando aplicado nos outros, até que um dia acontece com a gente. A abordagem moral não pode se manifestar só quando nós somos a vítima.

Os que levaram o talagaço estão sabendo, tanto quanto os que votaram em Bolsonaro em 2018 e em 2022 e podem votar em Flávio ou Tarcísio em 2026, que é tudo uma fria, é tudo pirâmide e golpe do pacote financeiro ou político.

Reprodução: blogdomoisesmendes.com.br

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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