Bolsonaro quer inventar a Apuração Tabajara

23 de junho de 2022, 11:20

Alguém acredita mesmo que os militares sejam capazes, como deseja Bolsonaro, de realizar uma apuração paralela de votos na eleição?

Se acredita, deve dizer em detalhes como esse sistema funcionaria à margem da estrutura oficial.

O que significa uma apuração paralela? Os militares fariam as tais totalizações? De seções? De cidades, de Estados?

Fariam apuração paralela apenas da eleição para presidente? E se existirem fraudes nas eleições para governador?

A apuração paralela não é, mesmo que os bolsonaristas confundam, auditagem da eleição.

Bolsonaro já anunciou que tem uma empresa internacional para auditar a apuração, coisa que a Polícia Federal também deseja fazer. Una tarefa a que as Forças Armadas podem se habilitar, conforme convite do próprio TSE.

Mas quem diz que os militares têm, no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica, estrutura para apurar votos?

E aí surge uma questão bem básica, bem elementar, que deve ser respondida logo pelos que irão fazer a apuração paralela.

A questão é essa. Bolsonaro incentiva os brasileiros a duvidar da eficiência, da correção e da lisura da apuração do TSE, mas quer que alguém acredite numa apuração feita por militares.

Alguém pode imaginar que uma estrutura montada pelos militares, não se sabe como, pode competir em confiabilidade com todo o sistema consagrado do TSE, com urnas aperfeiçoadas a cada eleição?

Um modelo de votação e apuração, com reconhecimento internacional, pode ser confrontado com um esquema que os militares fariam funcionar para atender às ameaças de Bolsonaro?

Só pode ser brincadeira. Os militares não conseguiram fazer funcionar nada em que se meteram no governo Bolsonaro.

Alguém acredita que eles sejam capazes de projetar, construir e colocar em operação um sistema de apuração equivalente ao do TSE, que nem os Estados Unidos têm.

Por favor, vamos respeitar os técnicos e as autoridades que trouxeram as instituições, a eleição e a democracia até aqui.

E vamos torcer para que os militares não embarquem na armação de Bolsonaro. Era só o que faltava ver as Forças Armadas envolvidas com uma Organização Tabajara de apuração de votos.

(Abaixo, o vídeo sobre como a urna eletrônica é feita)

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *