Comando do Exército negocia redução de danos na queda de Eduardo Pazuello

31 de dezembro de 2020, 12:13

É fato inarredável a aqueda do ministro Eduardo Pazuello. O “gordo favorito”, no dizer politicamente incorreto, gordofóbico e debochado de Bolsonaro, caiu em desgraça nas hostes militares. Sem optar pela reforma, permanecendo, portanto, na ativa, seu fracasso à frente da pasta para onde foi designado com o adendo de ser bom em logística, contaminou, segundo fontes ligadas ao comando do Exército, a imagem da Força e isto não será tolerado. A gota d’água para o desgaste no alto comando foi a tentativa infrutífera de Pazuello, de suprir a sua pasta – com muito atraso, diga-se de passagem – do estoque necessário de seringas e agulhas, a serem distribuídas pelo Plano Nacional de Imunização, para os estados.

Das 331 milhões de unidades de agulhas e seringas que o ministério da Saúde tinha a intenção de comprar, conseguiu obter apenas oferta para adquirir 7,9 milhões, ou seja, cerca de 2,4% do total de unidades de que precisava para iniciar a vacinação da população brasileira.

A atitude de submissão e humilhação divulgada país afora, quando em “visita” ao general, contaminado que foi pela Covid-19, o capitão o fez dizer a célebre máxima popular: “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, já havia caído mal na cúpula militar. Na época Pazuello chegou a receber certa pressão para que optasse pela reforma, caso tivesse interesse em permanecer à frente da pasta. Agora, porém, com o carimbo da incompetência estampado na testa e patente preservada nas fileiras, Pazuello assinou sua sentença de queda. Terá que retornar ao posto de general. Vai ser submisso em outra freguesia.

O comentário nessas tratativas entre o ex-comandante do Exército, Villa Boas e o atual, Edson Leal Pujol, giram em torno do vexame que é o Exército investir na formação de um oficial, para que ele venha a público demonstrar que a verba despendida pode não ter valido a pena.

Ao mesmo tempo, ao deixar de ser o “gordo favorito” para retornar às fileiras, Eduardo Pazuello não pode trazer consigo o título de “derrotado”. Sendo assim, o plano das casernas seria o de esperar que ele consiga pelo menos estruturar o Plano Nacional de Imunização e, ao posar para a foto ao lado do primeiro vacinado no país, dizer a célebre frase que coroa as atividades militares: “missão cumprida”. E aí, sim, sair pela “porta da frente”, como alguém que apesar dos tropeços, chegou ao fim da incumbência.

Isto é o que está sendo costurado entre o ex e o atual comandante do Exército, mas como a política tem das suas manhas, eis que, no calor da disputa para a presidência da Câmara e a farra de cargos e emendas provocadas pela escolha, nos bastidores da disputa, sua pasta entrou no rol das que podem – e provavelmente irá – parar nas mãos do centrão. Sim. A pasta da Saúde foi incluída no carteado e passou a ser um Áz cobiçado pela turma de Arthur Lyra (PP-Al), o candidato de Bolsonaro para a presidência da Câmara. Há quem aposte (a jornalista Thaís Oyama, do portal Uol, cravou) que a Saúde vá parar nas mãos de Ricardo Barros (Progressistas) e líder do governo na Câmara. A conferir.

Escrito por:

Jornalista. Passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada", membro do Jornalistas pela Democracia

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