Não se enganem: a autoestima dos irmãos foi abalada

27 de maio de 2026, 07:39

Não há controvérsias. Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo foram levados a Trump para tirar uma foto no Salão Oval.

A jornalista Raquel Krähenbühl, correspondente da Globo em Washington, foi categórica ao publicar nas redes sociais uma das primeiras informações sobre a visita:

“Encontro foi rápido. Flávio e Eduardo entraram, deixaram documentos com assessores, tiraram a foto e saíram”.

Alguém imagina que, conforme a versão de Figueiredo, os três podem ter ficado uma hora e quarenta minutos com o anfitrião?

Alguém imagina que Trump, sem saber como se retirar da guerra com o Irã e como calibrar os ataques planejados a Cuba, teria cem minutos para conversas fiadas com os dois golpistas encalacrados no caso Master?

Eles podem ter ficado todo esse tempo entre a entrada e o chá de banco. Nem com Elon Musk Trump ficou uma hora e quarenta minutos. Não fica nem com Melania.

A informação sobre a visita relâmpago pode não significar nada para as bases do bolsonarismo, que agora tem a foto. Mas é importante para que se tenha a dimensão do desprezo.

Para Trump, bastava a foto, para que os três fossem logo embora. Para a autoestima dos irmãos, não bastaria. Eles sabem que Lula conversou por mais de três horas com Trump.

Sabem que Trump e Lula têm o que conversar. Mas o que o americano pode tratar com Flávio? Pode ter erguido o polegar para dizer: contem com a nossa sabotagem na eleição.

Mas conversar sobre o quê? Detalhar o plano para atacar a eleição? Perguntar o que Eduardo precisa para se manter nos Estados Unidos?

Os irmãos e seu assessor para assuntos americanos saíram da Casa Branca como aquelas visitas chatas de fãs nos camarins. Tiraram a foto, entregaram uns papéis a assessores sobre o PCC, para dizer que estão preocupados com o crime organizado, foram convidados a se retirar e foram embora dando pulinhos.

A foto que conseguiram é mais do que ridícula. Não é a imagem de líderes políticos fascistas respeitados pela Casa Branca. A presença de Figueiredo, ao centro, só amplia a viralatice e a humilhação.

Reprodução: blogdomoisesmendes

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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