Sobre o imbróglio envolvendo a chapa PDT-PT no RS
Eram muitas as notícias que circulavam no RS sustentando que Edegar Pretto, do PT, manteria sua candidatura ao governo estadual.
Contudo, de repente, Edegar retira sua candidatura em prol de uma aliança com o PDT, que assume a cabeça da chapa com Juliana Brizola.
A imprensa local sugeriu que Paulo Pimenta e Henrique Fontana garantiram a chapa PDT-PT. Então fui até Tarso Genro, que escuto de tempos em tempos. Porém, houve um forte envolvimento de Lula neste processo.
Fui ouvir Tarso Genro que informou que há dois anos e meio começaram a organizar seminários e reuniões formais com quadros do campo democrático do RS, envolvendo lideranças da sociedade civil e até lideranças que participaram do governo de Pedro Simon e Yeda Crusius.
Ao todo, foram 30 reuniões envolvendo 100 pessoas tendo como objetivo o conceito de frente. O limite da realização dessas reuniões seria a acolhida dos partidos deste conceito. A partir daí, a organização passaria a ser das estruturas partidárias.
Todos os atuais membros da chapa PT-PDT participaram desses eventos (Paulo Pimenta, Juliana Brizola, Edegar e Manu), além de Olívio Dutra, Rosetto, Raul Pont e Henrique Fontana. Lembremos que Pont e Olívio defenderam o PT como cabeça de chapa.
Em determinado momento, o PDT aceitou a composição, desde que fosse cabeça de chapa. Lula, então, esteve no RS, sem articulação direta com a direção do PT. E selou a aliança eleitoral.
Não tenho como não acreditar que as duas lógicas petistas não estejam ocorrendo: a de uma ala que rejeita a entrega da cabeça de chapa ao PDT e acusa Lula de impor esta decisão ou a da ala que formulou tal aliança.
Porém, o que posso adiantar é que o fosso entre as decisões da cúpula do PT e a base é cada vez maior. Em outras palavras, os processos decisórios internos são cada vez mais centralizados e comandados por Lula. Como fazia Getúlio Vargas.