Bolsonaro sabe que os banqueiros riram dele

9 de agosto de 2022, 15:12

O Brasil se acostumou com Bolsonaro como ele é. Não só com suas crueldades e grosserias, mas com seu raciocínio raso, com a precariedade das suas falas.

O brasileiro normalizou Bolsonaro e o bolsonarismo, ou o sujeito não teria o apoio de 30% da população que o aceita e por ele é liderada.

Mas o encontro dessa segunda-feira, na Febraban, pode ter colocado Bolsonaro e seu jeito grosseiro e simplório de ser pela primeira vez diante de uma elite.

Banqueiros talvez sejam os mais sofisticados interlocutores de quem está no poder, mesmo que por acidente. Porque têm boa formação e muitas vezes bons ancestrais e lidam com a lógica do dinheiro. E porque quase nunca são logrados.

Bolsonaro tentou lograr os banqueiros com a conversa rasteira de quem não domina nada. Bolsonaro não consegue dizer nada com algum sentido. Não engata duas frases com algum nexo.

Foi pedir aos banqueiros que reduzam os juros do crédito consignado. É uma bobagem. Leiam essa sequência de besteiras:

“Se puderem reduzir (o juro) o máximo possível porque ainda estamos atravessando, estamos no final da turbulência para que todos nós possamos cada vez mais mostrar que o Brasil não é mais um país do futuro, é do presente. Os números estão ai, números fantásticos. Feitos por quem? Pelo nosso governo, por vocês também”

É uma conversa colegial. É pueril demais. Não é algo que possa tomar tempo de banqueiros.

Bolsonaro foi falar besteira sobre seu desejo de baixar os juros de empréstimos para pobres e miseráveis.

Bolsonaro é um ogro que chegou onde está com a ajuda dos banqueiros que apoiaram o golpe contra Dilma. Mas os banqueiros não querem mais saber dele.

Tanto que assinaram o manifesto pela democracia para que Bolsonaro seja mandado embora na eleição de outubro.

Deve ter sido uma segunda-feira bem divertida na Febraban. Bolsonaro discursou para os banqueiros como se estivesse pregando no culto de um dos seus amigos pastores e falando do diabo e do bem contra o mal.

Os banqueiros devem ter rido muito. Imaginem as gargalhadas nos banheiros da Febraban depois que o ogro foi embora.

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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