Brasília- DF. 09-10-2019- Ministro Ricardo Salles na rCOMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DES. SUSTENTÁVELrESCLARECIMENTOS DOS NÚMEROS CRESCENTES DE DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA. Foto Lula Marques

Devia estar fora do governo, mas Salles dá as cartas

7 de agosto de 2020, 12:13

Em que qualquer país do mundo onde se trate a questão ambiental com um mínimo de respeito, uma figura como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não seria sequer cogitada para ocupar o cargo. No Brasil, ele não só está livre, leve e solto, como continua dando as cartas, fazendo o jogo dos madeireiros, do lado podre do agronegócio, dos garimpeiros e grileiros dos mais diversos matizes.

Os números do desmatamento e da destruição da Natureza, divulgados pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Especiais), do próprio governo (Ministério de Ciência e Tecnologia), depõem indelevelmente contra a nefasta criatura. Somente no mês de julho, a área desmatada da floresta amazônica chegou ao impactante patamar de 1,5 mil km², um acrescimento de 33% em apenas um ano.

A expectativa de gente que pensa a questão com um tantinho que seja de responsabilidade é de que teremos, este ano, na Amazônia, o maior desmatamento em mais de uma década. Para entidades de credibilidade como o Observatório do Clima, a situação está fora de controle. E está, mesmo com a cena inacreditável transmitida nesta sexta-feira, pela TV, com o vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, jurando que os números mostram redução do desmatamento.

Auxiliar dileto de Jair Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente compõe o grupo mais radical e ideológico do governo, na linha do “chanceler” Ernesto Araújo, da ministra Damares Alves e, mais recentemente do ministro da Justiça, André Mendonça, desde que este escancarou sua posição ao por a pasta para defender delinquentes produtores de fake news.

Ao se falar no boquirroto Salles, é sempre saudável lembrar, da tristemente inolvidável reunião ministerial do dia 22 de abril – a que apressou a saída de outra vestal do ódio que havia no governo, Abraham Weintraub, então ministro da Educação, o que queria por na cadeia “os vagabundos do STF”.  Na ocasião, Salles nem corou ao sugerir que se aproveitasse a mídia “ocupada com a pandemia” para “fazer passar a boiada” de medidas legalmente questionáveis de agressão ao meio ambiente.

Salles sugeriu um crime. Não foi preso. Ganhou força, pelo contrário.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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