Pazzuelo elogiou o seu governo e culpou a imprensa. Antes continuasse sumido.

9 de janeiro de 2021, 13:31

A fala inacreditável do recém-reaparecido ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na TV, demonstra, de forma cabal, que o governo está “fazendo de tudo”, menos o certo, o lógico, o cientificamente adequado. Aponta para um comportamento que “é referência” diante de outros países, não de acerto e de medidas consequentes, mas do que não se deve fazer, sob qualquer ponto de vista.

Referência, mas de “incúria”, para utilizar o termo adotado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF, em sua de decisão de impedir a tunga que o governo ao qual o ministro serve pretendia dar no governo de São Paulo, que foi “diligente” no processo de captação, pesquisa, produção e iminente imunização, ainda para usar as palavras de Lewandowski.

O discurso mezzo parvo, mezzo raivoso (sobretudo com a imprensa) de Pazuello não podia ter um pano de fundo pior. Aconteceu enquanto o Brasil atingia a marca macabra de 200 mil mortos em razão da Covid-19. No dia em que o País chegava a números históricos: 1.379 mortes e 84 mil novos casos, em apenas 01 dia. Um quadro catastrófico que, talvez, nem o maio crítico do presidente da República acreditasse que pudéssemos chegar. Resultado direto do não trabalho desenvolvido pelo governo federal no combate ao Coronavírus.

Quadro que é consequência, mas do comportamento irresponsável e criminoso do presidente da República, prenhe em dar mau exemplo quando o assunto é pandemia; ou “gripezinha” como tratava a doença o chefe da Nação quando ainda era possível agir dentro dos parâmetros da Ciência e do bom senso. Um exemplo nefasto que contaminou multidões de seguidores para quem as medidas preventivas são pura bobagem, que o mais importante é “ser livre”, participar de festas, ir a praias, viver como se não houvesse amanhã, no sentido mais insano que arranjaram para traduzir a máxima.

Tragédia que é reflexo, mas da saída estúpida de profissionais médicos do cargo de ministro da Saúde – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich – cujo trabalho seguia na linha da Ciência e dos protocolos sanitários internacionais, algo inconcebível para um presidente a cuja figura sombria e lombrosiana deve se creditar o poço lotado de vírus em que o País se transformou. E uma ajuda substanciosa para ampliar o buraco de lógica em que nos metemos. O que foi potencializado quando civis médicos foram trocados por militares especialistas em logística que falharam na primeira tarefa de sua área – compra, estocagem e distribuição de vacinas e até mesmo seringas. Caos no caos.

Sumido há alguns dias, o ministro perdeu uma grande oportunidade de manter seu impávido silêncio. Bradar contra a imprensa e ignorar o papel do seu governo na ampliação da tragédia foi o seu tiro de misericórdia na razão.

Escrito por:

Jornalista e compositor, com passagem por veículos como o Jornal do Commercio (PE) e as sucursais de O Globo, Jornal do Brasil e Abril/Veja. Teve colunas no JC, onde foi editor de Política e Informática, além de Gerente Executivo do portal do Sistema JC. Foi comentarista político da TV Globo NE e correspondente da Rádio suíça Internacional no Recife. Pelo JC, ganhou 3 Prêmios Esso. Como publicitário e assessor, atuou em diversas campanhas políticas, desde 1982. Foi secretário municipal de Comunicação. Como escritor tem dois livros publicados: "Bodas de Frevo", com a trajetória do grupo musical Quinteto Violado; e "Onde Está Meu Filho?", em coautoria, com a saga da família de Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido político desde 1973. Como compositor tem dois CDs autorais e possui gravações em outros 27 CDs, além de um acervo de mais de 360 canções com mais de 40 músicos parceiros.

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