Dilma e a tortura que não tem fim

29 de dezembro de 2020, 15:55

Os jornais destacam que Fernando Henrique Cardoso se solidarizou com Dilma Rousseff, depois das declarações de Bolsonaro debochando dos que sofreram torturas na ditadura.

Bolsonaro debochou de Dilma Rousseff e de todos os torturados. E FH reagiu e virou manchete. Parece um grande feito. Se FH reagiu, merece notícia destacada na parte alta dos sites. Deve ser porque só reagiram Fernando Henrique, Lula, políticos das esquerdas e um ainda solitário liberal Rodrigo Maia.

E os outros liberais brasileiros? E os militares legalistas e humanistas? E os empresários? Por que tanto silêncio? Bolsonaro impõe tanto medo?

Todos ficarão em silêncio daqui a algum tempo, quando alguém debochar das torturas impostas pela extrema direita eleita aos brasileiros?

O governo de Bolsonaro é uma tortura. Quem irá duvidar dos seus crimes e das suas crueldades, como Bolsonaro duvida das torturas praticadas pelos mandaletes da ditadura?

Bolsonaro debocha dos torturados por saber que todos os torturadores ficaram impunes no Brasil. Brilhante Ustra, o ídolo de Bolsonaro, morreu livre e solto.

Todos os torturadores continuam vivos e livres, impunes, altaneiros. São lembrados e homenageados por Bolsonaro, pelos filhos dele e pelo vice-presidente da República.

Dilma e todos os torturados enfrentam uma tortura sem fim. Não é suficiente que enfrentem as sequelas da violência. É preciso para o fascismo que eles continuem sob tortura.

E Lula, Fernando Henrique e Rodrigo Maia reagem. Mas ninguém mais diz mais nada. O Brasil hoje é mais covarde do que no tempo da ditadura.

(Bolsonaro deve saber quem são os julgadores da Justiça Militar que esconderam o rosto diante de Dilma. Por que escondem? Bolsonaro conhece seus ídolos e poderia ajudar na identificação dos julgadores que não conseguem mostrar a cara.)

https://www.blogdomoisesmendes.com.br/termina-com-ina/

Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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