A perereca do Exu que abalou o Brasil

8 de setembro de 2021, 16:06

A fusão do 7 de Setembro golpista com o Arthur Lira e o demônio Bolsonaro me fizeram lembrar do Exu das 7 Encruzilhadas, Seu Sete da Lira, que era incorporado pela midiática mãe-de-santo Dona Cacilda.

Seu 7 da Lira surgiu num domingo de agosto de 1971, arrepiando as audiências televisivas do Chacrinha, na Globo, e de Flávio Cavalcanti, na Tupi, indo de um programa pro outro (era usual isso ocorrer com os participantes daqueles programas).

Dona Cacilda  abalou o Brasil e bombou as audiências, dando baforadas com seu charuto, rodando sua capa, e usando um chapéu coco. O Brasil naquele domingo virou um grande terreiro de candomblé. A performance do Seu Sete alvoroçou o país e as emissoras, com as pessoas das plateias, as equipes técnicas de Chacrinha e Flávio, cameramen, iluminadores, técnicos de som, contra-regras. Participantes em geral, todo mundo incorporado, rodando, rodando, e falando com vozes grossas estranhas, em transe nacional. Até mesmo telespectadores em casa, assistindo aos programas, foram incorporados, enquanto o Rei da Lira tirava suas cantigas. E dá-lhe tambor!

O Brasil nunca mais foi o mesmo depois daquele domingo marcante.

Quem sabe é disso de que estamos precisando?

Alô, dona Cacilda, traz o Exu das 7 Encruzilhadas para promover o grande descarrego nacional, fazendo descer aos infernos os demônios que assombram o Brasil! Hum, hum, meu pai. Hum, hum, meuzifios.

O mais gozado disso tudo é que a Dercy Gonçalves entrou na mesma frequência em seu programa, e passou a incorporar a “perereca da vizinha”, e rodopiava igual Dona Cacilda, tirando seu canto “a perereca da vizinha tá presa na gaiola / xô perereca / xô perereca”.

Que Brasil delicioso, ingênuo e bem humorado  a gente tinha! Depois disso, AI-5, matança, censura, a treva.

Escrito por:

Formação acadêmica: Conservatório Nacional de Teatro 1967-1969, Rio de Janeiro
Jornalista, atriz e diretora do Instituto Zuzu Angel/Casa Zuzu Angel - Museu da Moda. Manteve colunas diárias e semanais, de conteúdos variados (sociedade, comportamento, cultura, política), nos jornais Zero Hora (Porto Alegre), O Globo, Última Hora e Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), onde também editou o Caderno H, semanal.
Programas de entrevistas nas TVs Educativa e Globo.
Programas nas rádios Carioca e Paradiso.
Colaborações e/ou colunas nas revistas Amiga, Cartaz, Vogue, Manchete, Status, entre outras publicações).
Atriz de Teatro, televisão e cinema, de 1965 a 1976
Curadoria de Exposições de Moda: Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Itau Cultural, Paco Imperial, Casa Julieta de Serpa, Palacio do Itamaraty (Brasilia), Solar do sungai (Salvador).
Curadoria do I Salao do Leitor, Niterói

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