Jair Bolsonaro, urnas eletrônicas e Forças Armadas (Foto: Alan Santos/PR | ABr)

A única forma de o governo sobreviver às eleições é impedir que se realizem

21 de junho de 2022, 17:42

Como um cabo-de-guerra, o golpe se desenrola sob nossos olhos.

De um lado, os democratas agem como se houvesse normalidade. Lula faz campanha, divulga projeto, viaja pelo Brasil, entusiasma multidões, que cantam “lulalá” nas plateias dos shows da MPB. A mídia progressista produz incontáveis Lives e laudas diárias de análises por jornalistas e cientistas políticos críticos ao governo. Manifestos e abaixo-assinados circulam nos grupos de What’sApp, insaciáveis por assinaturas em condenação ao desgoverno.

Do outro lado, o Presidente da República atropela todas as fronteiras da legalidade, e faz campanha política irregularmente, abertamente, espetaculosamente, em motociatas pagas pelo povo, agredindo até as leis de trânsito, sem usar capacete. Ainda puxando o cabo-de-guerra para o lado da efetivação do golpe, instituições aparelhadas marcham de coturno rumo à tomada do poder, inventam conflitos, invertem regulamentos. General Ministro da Defesa obedece a capitão e Ministro da Justiça desautoriza tribunais superiores. Sem falar no caô da CPI da Petrobras. Nesse panelão fervente, o país é assado, cozido, desmembrado, para ser servido em grande banquete, enfeitado com azeitonas verde-oliva e com uma bomba-relógio na boca, com o sabor do novo golpe civil militar anunciado pelos militares para se estender até 2035.

O golpe civil militar de 1964 instalou-se, prometendo desmontar a barraca de sua tirania no ano seguinte, e durou 21 anos. Uma longa e tenebrosa noite escura pairou sobre o Brasil, sufocando o sonho sempre cultivado do brasileiro de encontrar “uma luz no fim do túnel”. Foram duas décadas vivendo no subterrâneo.

A grande mídia fomentou o golpe de 2016, demonizou a política, prestigiou a Lava Jato, nos impôs como correto um juiz parcial e despreparado, enalteceu a ainda enaltece a política econômica neoliberal selvagem de Paulo Guedes. Todas essas máscaras caíram, ao mesmo tempo em que eram retiradas as máscaras da Covid, deixando um lastro de 670 mil mortos, marca trágica da distopia brasileira.

Depois de toda a mistificação, a real face do horror se revela sem as “harmonizações faciais” promovidas pelas mídias platinadas. As bocas escancaradas da fome se arreganham, sem dentes e sem comida para mastigar. Os preços inviáveis do combustível paralisam a vida brasileira. Com o salário mínimo abaixo do mínimo, o povo também não consegue pagar as contas de água e energia. A repórter do telejornal chora ao vivo, enquanto cumpre a pauta da editoria de entrevistar famintos em restaurantes populares. As digitais da emissora estão nos pratos vazios e nas contas altas do fornecimento de serviços essenciais, cuja privatização ela tanta defendeu. As digitais dos farialimers, das lideranças empresariais, dos parlamentares indignos, todas lá, marcando os pratos rachados da pobreza. O país declina, desacelera, se deteriora.

É esse Brasil exaurido, de língua de fora, com o peso da inadimplência arqueando as costas de sua população, que assiste, sem entender direito, a direção perigosa que toma o trem de nossas vidas. Como nos filmes de ação, a locomotiva segue em alta velocidade, sem freios e sem condutor, rumo ao despenhadeiro, para nos afundar a todos sob o jugo de um governo ditatorial, incapaz, insensível e impiedoso. Nesse filme, não há dublês, nem há Tom Cruise, a Missão Impossível é nossa. O precipício está logo em frente. Quem avisa amiga é.

Também prossegue célere o plano de reduzir o Brasil à baixeza moral e intelectual, de normalizar as indignidades, e agora com mais um projeto para precarizar o ensino do ensino médio. Querem o brasileiro embrutecido e emburrecido, à sua imagem e semelhança.

O Brasil do mal radicaliza. Sabe que a única possibilidade para sobreviver às eleições é impedir que elas se realizem. 

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Escrito por:

Formação acadêmica: Conservatório Nacional de Teatro 1967-1969, Rio de Janeiro
Jornalista, atriz e diretora do Instituto Zuzu Angel/Casa Zuzu Angel - Museu da Moda. Manteve colunas diárias e semanais, de conteúdos variados (sociedade, comportamento, cultura, política), nos jornais Zero Hora (Porto Alegre), O Globo, Última Hora e Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), onde também editou o Caderno H, semanal.
Programas de entrevistas nas TVs Educativa e Globo.
Programas nas rádios Carioca e Paradiso.
Colaborações e/ou colunas nas revistas Amiga, Cartaz, Vogue, Manchete, Status, entre outras publicações).
Atriz de Teatro, televisão e cinema, de 1965 a 1976
Curadoria de Exposições de Moda: Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Itau Cultural, Paco Imperial, Casa Julieta de Serpa, Palacio do Itamaraty (Brasilia), Solar do sungai (Salvador).
Curadoria do I Salao do Leitor, Niterói

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