‘Desnomeação’ sela acordo de ACM Neto com Bolsonaro

12 de fevereiro de 2021, 10:35

          O ex-prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, inventou uma nova e originalíssima forma de selar uma aliança política: a desnomeação. Sim, Neto está trabalhando como louco para influenciar a reforma ministerial de Jair Bolsonaro, só que com sinal contrário, pedindo pelo amor de Deus para que ele não nomeie mais o nome escolhido para ocupar o Ministério da Cidadania, o do deputado João Roma (PR-BA).

          Não porque ele seja seu inimigo, mas sim porque é amigo demais, na verdade ex-braço direito na prefeitura, que está no PR por mero acaso, já que na Bahia o partido da Igreja Universal é um apêndice do ex-PFL que hoje é o DEM.

          O presidente demista acha que a escolha de seu amigo Roma deixará explícita demais a aproximação do partido com Bolsonaro, e quer, pelo sim, pelo não, manter uma imagem de independência do governo. Só que devia ter pensado nisso antes. Depois de puxar o tapete do colega Rodrigo Maia e permitir que seu partido, sobretudo a bancada da Bahia, despejasse a maioria de seus votos para ajudar a eleger o candidato bolsonarista à presidência da Câmara, Arthur Lira, a propalada independência do DEM virou piada.

           ACM Neto deu dezenas de entrevistas dizendo que não nomeará um porteiro sequer no governo, como se o que pretende obter com a aliança com Bolsonaro dependesse diretamente de um nome seu no Ministério da Cidadania, aquele que controla o Bolsa Família. Se não for João Roma, será um outro deputado amigo do PR, talvez até mesmo o presidente do partido, Marcos Pereira, aliados do carlismo na Bahia.

O QUE IMPORTA É A CANETA

           E Neto terá, de qualquer jeito, o que precisa, que é a caneta deste e de outros ministérios para azeitar sua candidatura a governador do estado em 2022. Isso é o que importa para ele agora, independentemente de ter ou não sua digital nas nomeações de ministros de Bolsonaro – o que pode lhe trazer problemas internos e com outros aliados, como o PSDB.

          Afinal, Neto não tem bola de cristal e tem que lidar também com a possibilidade de  a reeleição de Bolsonaro ir para o vinagre e o DEM ter que voltar à aliança com a centro-direita não bolsonarista. Um pé em cada canoa.

           O mais curioso de tudo é que, tendo a “desnomeação” atendida, ficará mais forte e clara do que nunca a aliança de ACM Neto com Jair Bolsonaro. O presidente agora não nega mais nada ao ex-prefeito de Salvador, embora estivesse entusiasmado com o nome de Roma, que inclusive anunciou a aliados como novo ministro da Cidadania. 

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