Eduardo Bolsonaro exibe cultura de “Google” para reproduzir fala do pai, contra vacina

2 de setembro de 2020, 16:28

Não bastasse a fala estapafúrdia de Bolsonaro sobre o uso de vacinas, também o filho Eduardo veio a público nesta tarde reproduzir a lenga-lenga da não obrigatoriedade da prevenção contra a Covid-19, pandemia que só no Brasil já ultrapassou o índice de 116 mil mortos e segue rumo aos 120 mil, sem que nenhuma autoridade do governo venha a público de forma sincera e empenhada lamentar essas perdas e expor uma política consequente para o seu controle.

“Lembrou-me a Revolta da Vacina (contra varíola) em 1904 no Rio de Janeiro do prefeito Pereira Passos. Toma a vacina quem quiser. Isso é liberdade. Não é o papai Estado que vai te impor decisões sobre sua vida (ao menos o Estado federal)”, disse Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, demonstrando sua típica cultura de “Google”.

Quando surgem esperanças para que por meio científico isto seja feito, vem a família Dó-ré-mi, jogar contra, numa atitude mais uma vez negativista e obscurantista. Sim. É disto que se trata. Quando um presidente da República emite uma opinião ele está consciente de que sua mensagem ecoa pelo país como uma pedra jogada no meio de um lago. Por isto é necessário se eleger para o cargo pessoas preparadas, com responsabilidade e comprometimento para com o seu povo. Bolsonaro está longe de ser o mínimo disto. Os seus cálculos, as suas falas, são sempre de olho no painel eleitoral, mesmo que 2022 nos pareça longe demais, do ponto de vista do nosso cotidiano, tendo uma pessoa como esta, no comando.

Ele sabe as consequências do seu recado. Está ciente de que vai colocar dúvida na população. Fora ficarão apenas os que torcem por uma solução para a pandemia. E o faz com objetivos pra lá de impróprios. Parte, por saber que agradará um núcleo de pentecostais, segmento significativo do seu eleitorado, que costuma resistir a vacinas. Foi assim com a prevenção ao sarampo, propiciando o retorno de uma doença que, do ponto de vista dos cientistas, já era considerada erradicada. Há também uma parcela avessa ao uso de remédios, já propensos a não aceitarem o uso da novidade. Mas a fala de Bolsonaro tem as razões de sempre. São ideológicas. Qual é a novidade? Nenhuma.

Ao falar da não obrigatoriedade da opção pela vacina, Bolsonaro não mede as consequências para a saúde dos brasileiros, como de resto não se importou com ela, ao exortar a população a quebrar o isolamento social, ainda no início da pandemia, quando a maioria seguia de maneira disciplinada a orientação da OMS e dos epidemiologistas. Para ele importa deixar no ar, para os seus desvairados “seguidores”, a mensagem subliminar de que as vacinas produzidas na China e na Rússia não devam ser “boa coisa”. Ele não disse claramente, mas não é preciso ser clarividente para imaginar aonde quer chegar este senhor que vê fantasmas e ameaça “comunista” até mesmo num frasco de vacina.

É bom lembrar, no entanto, que enquanto agora soltam esta mensagem ambígua e desagregadora, ecoada de forma irresponsável pela Secom, a Lei 13.979, sancionada por Bolsonaro em fevereiro, determina que “para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus”, as autoridades poderão lançar mão da “determinação de realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas”. A menos que vá revê-la.

Sua postura retrógrada vai nos custar ainda mais vidas, pois tudo o que o mundo precisa, hoje, é testar e barrar o contágio. Testes foram abandonados pelo seu arremedo de ministro da Saúde. Vacinas, serão desestimuladas. Donde se conclui que a vida no país vale os mesmos R$ 10,00 que ele pensa ser possível serem gastos por dia para sobreviver no Brasil.

Escrito por:

Jornalista. Passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada", membro do Jornalistas pela Democracia

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