(Foto: Alan Santos/PR)

Nem isolado, nem ignorado: é outra coisa

1 de novembro de 2021, 17:19

Leio por todos os lados, inclusive em importantes publicações estrangeiras, que Jair Messias foi isolado no cenário global, e que isso ficou evidente em sua passagem por Roma durante a reunião do chamado G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo.

Às vezes, a notícia surge com uma ligeira diferença: em vez de dizer que ele foi isolado, dizem que foi ignorado.

Quanto ao Brasil, finalmente está reforçando aquilo que Ernesto Araújo, em seus tempos de ministro de Aberrações Exteriores, mais buscou: transformar o país num pária internacional.

Não há dúvida alguma de que nos tornamos párias. Se até algum tempo éramos ativos mediadores, principalmente na política regional e também na ponte erguida até a África, hoje somos nada.

Essa política externa, escudada na alta capacitação do Itamaraty, foi sendo consolidada já no governo de José Sarney. Foi quando surgiu a ideia do Mercosul. Se com Collor a imagem sofreu corrosão significativa, começou a se recompor com Itamar Franco e ganhou voo no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Se na barafunda econômica de seu segundo mandato perdemos altura de voo, pelo menos o país manteve o espaço que havia conquistado.

E então vieram os dois governos de Lula da Silva e o Brasil finalmente expandiu de maneira veloz, e consolidou de maneira contundente, seu lugar no cenário global. O país passou a ter um peso específico e indiscutível, com o glacê do bolo do Itamaraty trabalhando de maneira absoluta.

Com Dilma Rousseff a política externa não teve o mesmo impulso, entre outras razões porque ela não tinha – ninguém, na verdade, tem – o carisma, a intuição política e a agilidade de Lula. E então veio Michel Temer, o usurpador, que fez de tudo para substituir uma democracia tão duramente alcançada por uma larapiocracia. Ele sim, foi claramente isolado e muitas vezes ignorado no cenário global.

Nada, porém – absolutamente nada – pode ser comparado ao que vemos hoje com relação ao Brasil e, principalmente, com Jair Messias.

Agora mesmo, em sua patética temporada italiana, vimos cenas que nem o mais criativo roteirista de um filme de humor seria capaz de imaginar. E se fosse, o diretor do filme ia deixar de fora por excesso de exagero (que valha a redundância).

Jair Messias conversando com o carrasco que governa a Turquia, por exemplo. Ele, de um lado, ridículo, mentindo desaforadamente. E Edrogan sério, como quem se recusa a crer na dimensão da boçalidade do interlocutor. Ou Jair Messias tentando conversar com garçons do bufê de uma recepção solene, quem sabe para se mostrar gente comum. Foi ignorado. Devem ter achado que se tratava de um farsante infiltrado numa reunião de mandatários, e se isso ocorreu, os garçons tinham razão: um farsante.

As cenas bizarras de Jair Messias perambulando pelas ruas de Roma não merecem comentário. A violência contra jornalistas não surpreendeu ninguém: afinal, é tudo que Jair Messias sonha ver no Brasil.

Resumindo: nunca, nem no pior da ditadura militar, o nosso país foi tão isolado no cenário mundial.

E esclarecendo: é um erro dizer que Jair Messias foi isolado ou ignorado tanto na reunião do G-20 em Roma como depois na reunião do clima em Glasgow.

Não, não: ele foi é desprezado. E quando não foi desprezado, foi ridicularizado.  

Resta tentar saber como será reconstruir a imagem do país no cenário mundial quando essa besta-fera enfim deixar a poltrona presidencial rumo aos tribunais.

Escrito por:

Eric Nepomuceno é jornalista e escritor

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