Pedro Guimarães (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Pedro Guimarães, assediador y otras cositas más…

29 de junho de 2022, 17:58

A imagem de Pedro Guimarães, até agora presidente da Caixa Econômica Federal, que Jair Messias passou – e reforçou – ao longo de três anos e meio em cataratas de elogios era de alguém não apenas altamente competente, como muito próximo e, portanto, merecedor de total confiança.

Bem: não era exatamente essa a imagem que funcionárias, algumas graduadas, tinham dele. E tampouco a que seus antigos empregadores tinham e souberam ocultar.

Guimarãe apenas repetiu, na presidência da Caixa, um comportamento cheio de antecedentes: assediar mulheres, acossar, abusar.  

Enfim, cometer crime – a não ser para quem entende que tocar seios e nádegas de maneira abusiva e invasora, e fazer convites para plateias oferecendo orgias entre chefes, chefetes e chefiadas, seja tão aceitável como, sendo parlamentar e dono de imóvel em Brasilia, receber auxílio moradia e usar o dinheiro (público) para “comer gente”, como confessou Jair Messias.

Aliás, não se trata apenas de crime: é também a confirmação de que ninguém que integra esse governo vale coisa alguma.  

Guimarães é um cafajeste da pior laia, e, portanto, plenamente merecedor de ter ido parar onde esteve até agora: o governo de Jair Messias.  

Vaidoso, ele sabia disso, gostava de se exibir ao lado do presidente, se gabava aos funcionários. Chegou a sonhar alto, achando que podia até mesmo ser candidato a vice-presidente nas eleições de outubro.

Não conseguiu, ficou onde estava, e aí veio o escândalo.  

Agora devemos todos não apenas prestar solidariedade às vítimas dessa covardia criminosa, mas louvar sua valentia na defesa da dignidade.

Pode-se esperar que, a partir dessas primeiras vítimas, outras mais se juntarão para contar suas próprias desventuras.

Pois bem: além de ter instalado na presidência da Caixa um cafajeste com antecedentes que, num governo minimamente responsável e competente teriam sido detectados antes da nomeação, o pior e mais nefasto presidente  da história da República nomeou, de novo sem ter sido advertido, um fulano com um passado profissional altamente questionável.

O currículo de Pedro Guimarães tem a solidez da sua decência. Em 2004 ele foi demitido do Santander. Pouco antes, na festa de final de ano, ele tentou beijar uma funcionária na marra. Foi posto no olho da rua, mas não apenas por essa razão: também por causa do seu desempenho anêmico.

Foi parar no BTG, que cuida de negócios milionários. Também lá assediou, tentou agarrar funcionárias, enfim, manteve a rotina. Foi demitido não apenas por essa razão, mas – segundo seu chefe na época – por um sem fim de maluquices.

Temos aí um cafajeste assediador, de competência ínfima e ao mesmo tempo irresponsável.  

Em 2011 foi parar no banco Plural, de onde saiu, com o apelido de “Pedro Maluco” para presidir a Caixa.  

E, ao que tudo indica, ele gostou do emprego e de ter conquistado a simpatia eloquente de Jair Messias.  

Tanto assim que, ao explodir o escândalo, não pediu de imediato para sair. Aliás, bem que tentou ver se não afundava, dando ares de naturalidade.  

A reação de Jair Messias? Ora, a esperada: um longo silêncio, pelo menos até o final da tarde do dia seguinte à revelação das denúncias. Deve ter pensado se as moças atacadas por Guimarães mereciam, de acordo com seus critérios pessoais, ser estupradas.

Por mais que seu entorno político pedisse desde o anoitecer da segunda-feira, quando explodiu o escândalo, que ele fizesse um pronunciamento anunciando a imediata demissão de Pedro Guimarães, enviasse uma palavra de solidariedade às vítimas da violência e repudiasse o assédio, Jair Messias, desnorteado, ficou quieto.

A cada dia que passa, e para onde quer que se olhe, tudo que emana deste governo é asco, podridão e, claro, perigo. Muito perigo.  

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Escrito por:

Eric Nepomuceno é jornalista e escritor

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