Caem todas as máscaras de Sergio Moro

30 de novembro de 2020, 15:55

Sergio Moro decidiu parar de brincar de político e vai fazer o que é a sua vocação. Virou sócio-diretor da consultoria americana de gestão de empresas Alvarez & Marsal.

A consultoria foi contratada para tentar salvar o que for possível do que sobrou da Odebrecht, que Moro e a Lava-Jato quase destruíram para pegar Lula.

Moro vai ensinar os clientes da empresa a fazerem “a coisa certa”, mas sem atuar como advogado, conforme esclarecimento de uma nota do ex-juiz hoje no Twitter.

O que Moro fará de fato na consultoria, se não atuará na área jurídica? O que Moro pode fazer para ajudar a empreiteira que quase destruiu, ou não se envolverá com assuntos da Odebrecht?

A OAB já anunciou que vai querer saber quais serão suas atribuições. Os jornais não esclarecem. Parece que Moro será na verdade uma espécie de grife do lavajatismo a serviço da consultoria. Tem status de sócio e vai atuar em políticas anticorrupção.

O que isso significa? É vago demais, é quase como dizer que ensinará os novos parceiros a fazer pão de ló.

Sabe-se que trabalhará com ex-agentes do FBI. Talvez Moro venha a ser um araponga de luxo da empresa, sempre preocupado, como diz a mesma nota, em evitar conflitos de interesse.

Tudo o que Moro não fez, desde que deixou a magistratura, foi evitar conflitos de interesse, principalmente quando se subordinou a Bolsonaro.

O resumo é este: o juiz que massacrou a Odebrecht, e não só seus dirigentes, agora trabalha para a organização americana que tenta salvar a mesma Odebrecht.

Não poderia. Deveria ser impedido. Mas vai ficar assim? Claro que vai. Moro deve estar certo de que fez a coisa certa. A elite brasileira também acha que ele é o exemplo do lavajatismo que tudo pode. O ex-juiz conseguirá o que Deltan Dallagnol sempre tentou: será um empreendedor.

Moro e Bolsonaro são as grandes invenções do cinismo e do fascismo brasileiros no século 21. Mas Bolsonaro, que será logo abandonado, não terá essas chances de fazer sociedade com consultorias de bacanas.

Bolsonaro fará, no máximo, consultoria para a turma do Queiroz.

https://www.blogdomoisesmendes.com.br/bolsonaro-a-caminho-do-fim/


Escrito por:

Moisés Mendes é jornalista de Porto Alegre e escreve no blogdomoisesmendes. É autor de ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Foi editor de economia, editor especial e colunista de Zero Hora.

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